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O quanto as máquinas já aprenderam a escrever textos?

Inteligência artificial em texto

A inteligência artificial já faz parte da vida das pessoas: assistentes pessoais, soluções de BI nas empresas, interações ricas no campo do entretenimento. Mas, por mais que IA seja uma realidade acessível hoje, algumas de suas aplicações ainda soam como ficção científica. A inteligência artificial em texto é um desses casos.

Será que essa possibilidade está próxima? Como um software capaz de um processo tão sofisticado da mente humana pode impactar o mercado e o mundo?

As máquinas ainda estão aprendendo ou já aprenderam?

Antes de olhar para o futuro, é preciso analisar o presente. O que significa ter uma IA capaz de escrever textos? Em que ponto dessa evolução tecnológica estamos?

Existem muitas pesquisas e tentativas com resultados variados relacionados a softwares capazes de escrever textos. Um desses casos é representado pelos esforços da OpenAI, empresa sem fins lucrativos financiada por Elon Musk para estudos com esse tipo de tecnologia.

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Em se tratando da capacidade humana de escrever um texto (seja criativo, opinativo ou argumentativo), temos um processo muito complexo, porém muito naturalizado para o ser humano:

  • a apresentação de uma questão, dúvida ou sugestão a ser solucionada;
  • a busca por fontes internas (memórias, vivências, sentimentos) ou externas para lidar com a questão;
  • o cruzamento de referências e fontes para formar um ponto de vista único sobre uma história ou um assunto de discussão;
  • a elaboração do texto em si, com coerência, adequação ortográfica e estrutura inteligível.

Analisando este processo, é possível perceber que a forma como escrevemos um texto se assemelha muito aos avanços de machine learning dentro do conceito de inteligência artificial: análise de dados, interpretação e recondicionamento de ideias.

Mesmo que a linguagem apresente mais desafios subjetivos do que equações matemáticas, por exemplo, essa realidade está cada vez mais próxima.

É o que afirmam, por exemplo, os criadores do GPT-2, modelo de IA específico para criação de textos naturais. Eles ainda temem que esse tipo de tecnologia não esteja preparada para uso público pelas formas como ela pode ser usada.

Esse software foi treinado lendo uma base de mais de 8 milhões de documentos em um total de 40 GB de dados — um número bastante expressivo em se tratando apenas de texto. Pensando na evolução exponencial do processamento de computadores, esse volume pode ser irrisório com as possibilidades se pensarmos em 20 ou 30 anos no futuro.

A máquina já aprendeu a escrever, mas ela ainda está testando suas capacidades com a produção de texto para se tornar realmente viável. Seguindo nesse ritmo, podemos ver a tecnologia se tornando comercial nos próximos anos.

Empresas podem se beneficiar da inteligência artificial em texto?

Não é por acaso que a própria OpenAI já recebeu milhões de dólares em investimentos de outras organizações, incluindo gigantes como a Microsoft. Claro, existem várias vias de pesquisa dentro da instituição, mas pode-se colocar o GPT-2 como um de seus grandes projetos.

Talvez o maior impacto nas empresas do futuro esteja no marketing, no atendimento e na produção de conteúdo. Inclusive, uma grande prévia dessa influência já é bem comum atualmente: os chatbots.

Eliminar o esforço manual de contato para questões corriqueiras está otimizando a relação com clientes em várias camadas empresariais, diminuindo custos para o negócio e aumentando a satisfação do cliente em chamados resolvidos com celeridade.

Mas o futuro ideal do machine learning nesse contexto é passar de uma tecnologia apenas reativa para ter sua própria iniciativa. Assim, as IA’s poderão se tornar grandes aliadas no planejamento e execução de campanhas de marketing. Elas conseguirão não só replicar como elaborar suas próprias abordagens em forma de conteúdo para um público específico, utilizando um volume gigantesco de dados para traçar perfis, nichos e oportunidades.

E não se trata apenas de conteúdo escrito. Afinal, a elaboração de textos é o ponto de partida para todo tipo de peça em mídia e marketing: vídeos, jogos, música etc. A inteligência artificial pode ser um auxílio presente em todas as etapas do trabalho de uma agência — não só na questão operacional, como também criativa.

Quais os riscos dessa tecnologia?

Quando o assunto é analisado por esse ângulo, ele se torna bem delicado e complexo. Até que ponto inteligências artificiais podem padronizar ou monopolizar a criatividade? Será que existe o risco de que todas as campanhas do futuro sejam elaboradas do início ao fim por um software?

Os profissionais que pensam de forma tão alarmista talvez estejam perdendo o ponto da discussão. A IA especializada em interpretação e elaboração de textos deve ser vista como aliada em processos criativos, não como uma solução para eles.

Esse é o maior risco da tecnologia: que ela sirva de amparo para a produção de campanhas, sem que haja uma preocupação com o fator humano da comunicação. Um cenário descontrolado do uso desse tipo de software teria peças e conteúdos muito padronizados, que nivelasse marcas em uma busca por números e algoritmos, tirando a identidade que traria um diferencial no mercado para a empresa.

Isso vai acontecer em parte. Muitos gestores e diretores procurando caminhos curtos para a exposição de suas marcas deixarão de lado a inteligência emocional de seus profissionais para apostar na inteligência matemática das IAs.

O mais importante agora é se preparar e investir nas pessoas para não cair nessa armadilha quando ela estiver se disseminando no mercado.

Máquinas chegarão a escrever para grandes veículos de mídia?

Conforme ressaltado, é quase que inevitável um futuro em que até grandes veículos utilizem esse tipo de tecnologia para produção de conteúdo, principalmente aqueles que focam no volume de informação em vez da personalidade.

Isso vai acontecer no jornalismo, no marketing e até no mercado editorial de ficção e não-ficção. Mas esse volume provavelmente não será traduzido em identidade e diferenciais.

Mesmo que um software seja capaz de analisar fontes de dados e depois condensá-las em uma estrutura natural de linguagem, ele dificilmente alcançará o nível de sofisticação do cérebro humano em ser criativo — principalmente em sua habilidade de colocar empatia e emoção nesse processo.

Portanto, a inteligência artificial em texto é, sim, uma realidade e será cada vez mais popular no mercado. Mas é importante enxergá-la como um suporte, não a solução completa.

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