Entrevistas

“As próprias máquinas vão se inter-relacionar, negociar e comercializar serviços e bens”

Com IOTA, viveremos em um mundo M2M (Machine as a Service)

A Indústria 4.0 ainda é nebulosa para muitas pessoas e as capacidades tecnológicas que já são desenvolvidas ainda estão longe do grande público. A quarta revolução industrial promete modificar muito do que conhecemos e fazer valer o adjetivo disruptivo, que tanto é atrelado a ela. A tecnologia desenvolvida pela IOTA Foundation já cumpre esse papel.

A IOTA é a terceira geração da Blockchain, mas não é apenas uma criptomoeda. Com o avanço dessa tecnologia, poderemos passar de uma lógica de transação B2B para Machine to Machine (M2M). A comunicação entre máquinas e a evolução das microtransações contribuem diretamente para a economia colaborativa, conta Rafael Presa, Market Developer da IOTA Foundation.

Nessa entrevista exclusiva concedida ao blog Inteligência Corporativa, Rafael fala sobre as estratégias em Marketing de Conteúdo da fundação para tratar de um assunto tão complexo e dá uma visão animadora sobre as possibilidades da IOTA. Confira na íntegra.

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A IOTA é bem mais que uma criptomoeda, mas essa é a primeira definição que aparece quando pesquisamos sobre. Como é o trabalho de Marketing de Conteúdo da IOTA Foundation para lidar com esse tipo de redução sobre a tecnologia?

A IOTA Foundation é uma fundação alemã que desenvolveu a terceira geração da Blockchain. Entendemos o Blockchain como uma DLT, ou seja, uma tecnologia de registro distribuída.

A Blockchain mais famosa hoje é a do Bitcoin, que tanto ouvimos falar. O Bitcoin majoritariamente se estruturou como uma transação financeira, ele é um ativo financeiro. Você não tem uma flexibilidade muito grande em aplicações em outros segmentos senão o financeiro com o Bitcoin e, por consequência, outras criptomoedas também.

A grande diferença da IOTA é que, por ela ser a terceira geração da Blockchain, nós temos alguns parâmetros que se aplicam melhor em outras verticais e não somente no mercado financeiro.

A IOTA tem a sua criptomoeda que roda sob a plataforma DLT, chamada Tangle, um  “emaranhado”. Esse emaranhado nos proporciona atuar muito específica ou prioritariamente no uso de Internet das Coisas.

Por exemplo: a Blockchain convencional, que conhecemos do Bitcoin, tem uma capacidade global de processar 7 transações por segundo em média. Como efeito de comparação, a VISA, operadora de cartão de crédito, tem uma capacidade de 20 mil transações por segundo ao redor do mundo.

É uma discrepância muito grande para conseguirmos tornar o Bitcoin uma moeda global. Já com a IOTA isso é diferente, porque nós temos uma capacidade escalável de transações.

Rafael Presa, Market Developer da IOTA Foundation

Como é essa capacidade de escalar as transações?

Para não entrar muito em tecnicalidades, o que posso afirmar é que, quanto mais operadores, quanto mais transações tivermos na rede Tangle, mais rápido ela vai ficar. Esse é um conceito matemático desenvolvido pelo professor russo Serguei Popov.

Ele tem o título de doutor pela Universidade de Moscou, mas há 10 anos dá aula na Unicamp e antes disso lecionou na USP, na área de Matemática Aplicada. Foi ele que desenvolveu esse conceito matemático por trás da Tangle e que proporcionou a aplicação no segmento de Internet das Coisas.

Até 2025, a Gartner estima que nós teremos 100 bilhões de dispositivos conectados na internet, através da Internet das Coisas.

Imagine todas essas máquinas conectadas transacionando — sejam valores, dados —, numa rede com uma baixa TPS (transações por segundo), como é a da Blockchain do Bitcoin.

A IOTA veio de encontro a isso. Como subprodutos, ou como consequência dessa arquitetura da IOTA, o que acontece é que nós temos a aplicação do mundo real, nós damos suporte a uma economia máquina a máquina. Agora podemos ter máquinas com identidades próprias, descentralizadas, que transacionam com serviços ou produtos entre elas mesmas, dando, por exemplo, suporte também a uma economia compartilhada.

Nesse cenário, temos condições agora de abrir vários tipos de serviços ou produtos e trabalhando a venda por meio de microtransações, como no caso a IOTA possibilita. Tudo isso para que possamos compartilhar um bem ou prestar um serviço

O custo para operacionalizar um processo com microtransações, que muitas vezes são menores do que 1 centavo, não é viável financeiramente operando com moedas fiduciárias como Real, Dólar e nem com operadoras de cartões de crédito.

Poderia dar um exemplo prático de como a IOTA funcionaria em uma microtransação?

Imagine que eu tenho uma indústria e preciso de uma máquina de solda. Qual o processo atual? Preciso ir até uma fornecedora de máquina de solda e comprar aquele equipamento. Se eu não tiver dinheiro, vou ao banco, pego o dinheiro emprestado e compro aquela máquina. O objetivo dessa máquina é soldar. Esse é o cenário atual.

Em um cenário com uma tecnologia como a IOTA, usamos uma espécie de consignação com o fornecedor da máquina. Ele me fornece a ferramenta, eu a coloco no meu parque industrial e pago conforme uso a máquina. Assim a economia se torna distribuída, descentralizada. É o que chamamos de Machine as a Service. Eu pago conforme uso, não é mais aquela situação em que mobilizo um capital para poder ter aquela máquina.

Conforme essa máquina vai soldando, podemos programá-la para que ela pague a empresa fornecedora por cada 1 cm ou 1 mm, que seja, de solda. Conforme ela solda, o pagamento ocorre, porque ela está prestando um serviço para mim.

No contexto atual, com as metodologias e as empresas de serviço no mercado, não é possível fazer isso acontecer. Cobrar a cada centímetro ou milímetro de solda é um processo inviável.

Tecnologias como a da IOTA proporcionam um cenário total de posse versus uso.

Com isso há uma série de desdobramentos que chegam até mesmo em benefícios de sustentabilidade, já que temos a necessidade de produzir menos bens, porque compartilhamos produtos.

Por exemplo, deixamos um carro parado entre 92% e 96% do tempo. Imagine se cada um de nós tivermos que comprar um carro para poder se deslocar. Teríamos uma necessidade de produção muito maior e que vai desgastar nossos recursos naturais. A partir do momento em que usamos o tempo em que o carro estaria parado com outras pessoas utilizando-o, reduzimos a necessidade de recursos naturais também, dentre uma série de outros fatores.

Uma das suas funções na fundação é promover a adoção da IOTA por pessoas, grupos e empresas. Como funciona a comunicação para cada um desses setores, já que eles possuem demandas diferentes?

A comunicação tem que ser feita em um nível global e não apenas na frente de comunicação com parceiros e segmentos industriais.

Há também a comunicação para desenvolvedores e investidores. Existe uma boa parcela desses stakeholders interessados na IOTA e que atuam na parte de ativos, fazem trade e investem na moeda. Então, temos que diversificar nossas frentes de ação na comunicação.

Hoje, atuamos mais fortemente nas mídias sociais. Estamos no Twitter, LinkedIn e essas redes são uma fonte de comunicação de primeiro impacto. Passado esse momento, outro tipo de comunicação que desenvolvemos é mais centrado em quem realmente está interessado.

Ela é feita pelo Discord, um canal de comunicação direta que conta inclusive com os próprios integrantes da fundação IOTA. Temos o Discord aberto e ele possui várias frentes: tecnologia, pesquisa, desenvolvimento, aplicação de casos de uso. Nesse espaço costumamos engajar mais nas conversas.

Outra ponte que tem sido feita aqui no Brasil são os eventos. Existem eventos do próprio segmento de DLT, em que apresentamos nossa plataforma, mas também há eventos setoriais.

Ainda outra vertente interessante é também o Marketing de Conteúdo, porque como às vezes atendemos em diversas frentes industriais, precisamos criar conteúdos relevantes para atrair o interesse desses participantes. Assim eles entendem que podem utilizar a tecnologia da IOTA independente do ativo financeiro ser a criptomoeda.

Você trabalhou primeiro como embaixador na IOTA Foundation e agora está como Market Developer. Como se deu o processo de estruturação do Marketing de Conteúdo quando começou a desempenhar esse último papel?

Nosso trabalho de marketing primeiro foca em entender um pouco mais da história das pessoas que chegam até a fundação e qual visão elas têm a respeito dos nossos assuntos.

Ao mesmo tempo que desenvolvemos materiais para Marketing de Conteúdo, também elaboramos convites para as empresas interessadas. Esse material pode ser, por exemplo, um post blog impulsionado nas redes sociais.

Nesses convites, explicamos e falamos um pouco mais da tecnologia, mas não direcionado às tecnicalidades. Trazemos informações que focam no alto nível dos benefícios que aquele tipo de aplicação pode trazer, das vantagens que a plataforma digital traz para o negócio desses stakeholders.

A partir daí, evoluímos na conversa e o detalhes mais técnicos adentram num segundo momento. Trabalhamos também com vídeos dentro do nosso departamento de comunicação. Temos uma equipe super competente na parte de criação de vídeos para toda essa comunicação junto à comunidade.

Você acredita que uma das formas de superar o desafio de trabalhar com um assunto tão complexo é criar um relacionamento por meio do Marketing de Conteúdo?

Sem sombra de dúvidas. Enfrento bastante isso quando vou dar palestras ou aulas sobre a tecnologia. Normalmente, é algo que as pessoas não tiveram um contato ainda. Tudo ainda está muito abstrato para elas.

O nosso mindset, de modo geral, ainda está localizado na Indústria 3.0 ou mesmo na Indústria 2.0. Quando começamos a tratar de tecnologias disruptivas, é mais complexo ir direto ao ponto e criar uma dinâmica para que as pessoas entendam aquele conceito. É necessário montar uma escada para que essa pessoa consiga subir os degraus e chegar em um entendimento mais global da tecnologia.

Inicialmente, o ideal é que se apresente algo inovador, como é o caso das plataformas digitais, mas que já faz parte do dia a dia de muitos. Várias pessoas utilizam Airbnb, Uber e outras plataformas que trazem essa inovação. Isso é uma isca para que o indivíduo comece a entender a IOTA.

Depois de apresentarmos os benefícios para a pessoa nessa linguagem mais cotidiana, entramos em pontos mais específicos sobre a tecnologia que eventualmente ela precisará conhecer para fazer parte desse ecossistema. A partir daí, ela está preparada para toda discussão e também para participar de eventos que se aprofundam no tema.

Para que tudo isso possa acontecer, a porta de entrada é o Marketing de Conteúdo.

No time de comunicação temos especialistas em mídias sociais, em relações públicas, especialistas em criatividade e arte. Essas pessoas especializadas desenvolvem e atuam em seus devidos campos, inclusive fazendo a análise de qual a melhor forma de interagir com audiências específicas.

No site da fundação há diversos artigos publicados pelo fundador da tecnologia. Como você vê essa aproximação do meio acadêmico com o Marketing de Conteúdo, já que muitas vezes esses mundos não se aproximam?

Essa é uma questão interessante para ser analisada, porque normalmente a academia está mais disposta a acessar artigos mais acadêmicos e o Marketing de Conteúdo muitas vezes não atinge esse público.

Sou totalmente favorável de se criar uma integração entre essas duas partes, sobretudo aqui no Brasil, porque lá fora já há iniciativas assim. O que acontece hoje é a academia ocorrendo de um lado e a aplicação de tecnologia no mercado ocorrendo de outro.

Em outros países, as próprias empresas investem em pesquisas dentro da academia para trazerem soluções para elas. O caminho que eu vejo é integrar cada vez mais esses espaços por meio de iniciativas públicas ou privadas. Integrar a academia e o mercado.

Acredito que isso possa trazer um engajamento maior do segmento acadêmico em ler conteúdos sobre a aplicação daquela tecnologia no mercado e pessoas do mercado terem mais adesão ao material acadêmico.

Como a IOTA Foundation se posiciona nessa questão?

Nós estamos com uma iniciativa focada na digitalização da Indústria 4.0, que é quando o Business to Business (B2B) tende a se transformar em um Machine to Machine (M2M), onde as próprias máquinas vão se inter-relacionar, negociar e comercializar os serviços e bens.

Nesse contexto, a IOTA Foundation, enquanto uma fundação sem fins lucrativos, tem interesse de fomentar um ecossistema para esse desenvolvimento, para que todos possamos evoluir nele.

Estamos em um momento de convite. Convidando a academia, associações, instituições de padronização de processos e protocolos, além de indústrias e cadeia de fornecedores para que se juntem a nós em prol do desenvolvimento desse modelo.

Enxergo isso como uma grande ferramenta que pode ser utilizada para aproximar e por meio do Marketing de Conteúdo podemos trazer a academia para mais perto e juntá-la ao próprio mercado.

Explore nossa seção de Entrevistas para saber mais sobre o que alguns nomes do mercado digital pensam sobre marketing, gestão e outros assuntos.
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