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Unicórnios a galope

Número de unicórnios tem crescido

Uma empresa unicórnio ou startup unicórnio é aquela que vale mais de 1 bilhão de dólares. Devido à raridade de um negócio ascender a esse patamar é que foi dada a alcunha que remete à criatura mágica de nossas infâncias. Isso quer dizer que é praticamente impossível conseguir esse status? Não exatamente.

Amostras de uma pesquisa da CB Insights, liberadas em abril de 2019, mostram que, somente no primeiro trimestre de 2019, houve um aumento em 147 no número de unicórnios, apenas nos Estados Unidos da América. Porém, mesmo impressionando, a China chama mais atenção por ter superado os EUA em investimento de startups.

É perceptível como essas empresas estão alçando novos voos e expandindo o mercado para que comportem seus investimentos e inovações. Mas como tudo isso acontece? Como chegamos até aqui?

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Unicórnios existem, e aos montes

O ano é 2013 e o local é Seattle, EUA. Em um evento sobre empreendedorismo, a fundadora da Cowboy Venture, Aileen Lee, afirmou que é extremamente raro uma startup dar bons frutos, tanto quanto existir um unicórnio.

Foi aí que o termo, de acordo com o contexto, ganhou vida, traduzindo-se em um negócio extremamente lucrativo e rápido. De acordo com os cálculos de Aileen à época, apenas 0,07% das startups atingiam o patamar de unicórnios.

Porém, como já dissemos, esse número está crescendo cada vez mais. Enquanto não temos novos cálculos fornecidos por Aileen, podemos especular sobre qual caminho mágico é percorrido por essas empresas.

Um deles é o da inovação aberta, sendo esse um processo criativo rápido, que abraça a transformação digital. Outro percurso, quase inevitável, é fazer um IPO (Initial Public Offering). Isso significa abrir capital na bolsa de valores e receber investimentos externos para o negócio.

Número de unicórnios impressiona e a tendência é crescer

A segunda década do milênio terminou com mais de 400 unicórnios, trazendo negócios do mundo inteiro em sua lista. Porém, ainda há espaço para ser conquistado nesse cenário?

Para muitos, o desafio é manter-se nesse patamar de unicórnio. Alguns dos ícones que atingiram o nível estão caindo, mostrando certa fragilidade na forma de administrar os negócios.

Diante disso, muitos se perguntam: até quando o mote “cresça rápido” será absorvido pelo mercado? Especialistas falam que é uma questão de sustentabilidade.

O problema pode ser apontado como uma incompatibilidade cultural das startups na hora de abrir o mercado ao público, recebendo investimentos da bolsa. Com a faixa de inovação estendida como parte essencial do negócio, as startups que fazem IPO enfrentam corpos diretivos tradicionais e o conflito de visões.

A Uber é um ótimo exemplo disso, tendo enfrentado problemas jurídicos sobre discriminação e assédios dentro da empresa. Anos atrás, essas questões mal arranhariam a imagem de um negócio. Em pleno 2020, a sociedade está saturada desses comportamentos e acaba por eliminar gradativamente o consumo.

Podemos ver um desenvolvimento da Lyft, BlaBlaCar e outras startups do mesmo segmento da Uber. Se antes o desafio era crescer, expandir e inovar para atingir o status unicórnio, agora será a vez de ser sustentável enquanto se adéqua às exigências de mercado.

Em defesa dessa nova estratégia, reinam as práticas sustentáveis de negócio, visando a que a empresa seja atrativa para novos investidores e consiga flutuar sozinha na terra mágica. Então, a nova tendência de crescimento das startups unicórnios é:

  • liderança igualitária — maior fomento de mulheres e pessoas não-brancas nas lideranças e cargos executivos;
  • privacy by design — maior privacidade para os usuários, dando controle a seus dados sensíveis;
  • cultura inclusiva — aumento da diversidade nas empresas e produtos, diminuindo barreiras de acesso.

Em busca da terra mágica das startups unicórnios

Segundo levantamento da CB Insights, atualizado em dezembro de 2019, existem 430 startups unicórnios ao redor do mundo. As 20 primeiras são:

  1. Toutiao (Bytedance) — China;
  2. Didi Chuxing — China;
  3. JUUL Labs — EUA;
  4. SpaceX — EUA;
  5. Stripe — EUA;
  6. Airbnb — EUA;
  7. Kuaishou — China;
  8. One97 Communications — Índia;
  9. Epic Games — EUA;
  10. DJI Innovations — China;
  11. Grab — Singapura;
  12. DoorDash — EUA;
  13. Palantir Technologies — EUA;
  14. Bitmain Technologies — China;
  15. Samumed — EUA;
  16. Wish — EUA;
  17. Global Switch — Reino Unido;
  18. Infor — EUA;
  19. Go-Jek — Indonésia;
  20. Beike Zhaofang — China.

Podemos perceber a participação ativa de países como a China e EUA, mas Indonésia, Singapura, Índia e Reino Unido também figuram. Além desses, outros países que estão na lista completa de startups unicórnios são:

  • Coréia do Sul;
  • Suíça;
  • Suécia;
  • Alemanha;
  • Austrália;
  • Malta;
  • Canadá;
  • Israel;
  • África do Sul;
  • Espanha;
  • Japão;
  • França;
  • Colômbia;
  • Lituânia;
  • Estônia;
  • Hong Kong;
  • Filipinas;
  • Portugal;
  • Holanda;
  • Luxemburgo.

Brasil também tem seus representantes no vale mágico

Engana-se quem acha que o Brasil ficaria de fora de uma lista dessas. Anteriormente, nós já estávamos presentes com quatro representantes. Em 2019, subiram ao pódio outras duas startups. A Nubank continua vitoriosa como uma das únicas que já aparecem na lista há, pelo menos, três anos.

Junto a ela, temos o iFood, aparecendo desde 2018, e no mesmo ramo de transporte e logística, a Loggi. Fazendo parte da desbancarização do Brasil está a EBANX. A surpresa pode ficar por conta da Wildlife Studios, empresa de games, e da QuintoAndar, e-commerce de imóveis.

O número de unicórnios cresce cada vez mais, porém, o desafio já não é mais como chegar até lá, mas sim como manter-se na categoria. Com a queda de ícones do setor de inovação em startups, muitas companhias aspirantes aprendem com os erros de suas parceiras. Uma das lições valiosas é o propósito social da marca e o fomento da inovação vinculada à diversidade.

A bolha da economia compartilhada faz parte de um dos empecilhos na trajetória mágica para fazer parte dos números de unicórnios. Para superar a possível maré de azar que vem com o estouro dela, muitas companhias passam a investir em novas estratégias para inovar e atingir novos públicos. Elas entendem que, assim, conquistarão mais espaço e se tornarão sustentáveis.

As unicórnios atuam em diferentes negócios, mas todas têm um ponto em comum: a novidade. Para entender mais sobre isso, confira nosso post sobre como a inovação marcou o final da segunda década do milênio.

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