Artigos

E depois do coronavírus?

Pós-coronavírus

O cenário pós-coronavírus parece nebuloso e a ideia é ter noção da realidade para fazer negócios acertados. Com esse objetivo, é necessário entender em que situação o Brasil e o mundo estão, quais são as possibilidades para os próximos meses e as oportunidades que surgem para se destacar e alcançar melhores resultados.

Uma coisa é fato: o mundo e as empresas serão diferentes após a pandemia. Nesse período, é possível aprender a partir das dificuldades. A inovação e a tecnologia são cada vez mais cruciais, assim como a capacidade de encontrar alternativas no seu segmento de atuação.

Como aliar esses aspectos e chegar a uma conclusão viável?

Estado atual

Ao assistir aos jornais ou ler as notícias na internet, o novo coronavírus é assunto constante. O número de casos, o crescimento do total de mortes e a necessidade de isolamento social são aspectos citados todos os dias, de maneira exaustiva.

Discussões à parte, um sintoma é percebido de forma bastante evidente: as dificuldades econômicas que assolam a quase todos, qualquer que seja a escala socioeconômica em que se está localizado.

As famílias mais carentes são as que mais sofrem. Sem poder trabalhar, muitas vezes, têm pouca comida na mesa e precárias condições de higiene. Por sua vez, os grandes empresários e investidores veem prejuízos econômicos no Brasil e no mundo. Algumas das consequências são listadas abaixo.

Faça o download deste post inserindo seu e-mail abaixo

Não se preocupe, não fazemos spam.
Powered by Rock Convert

Economia

Para as bolsas de valores, as quedas foram significativas. A B3 estava por volta dos 85.000 pontos antes da pandemia. No início de abril, já tinha alcançado os 70.000 pontos. Ainda assim, o menor patamar desde julho de 2017 ocorreu em meados de março, quando o índice atingiu os 66.894 pontos.

Por sua vez, até o novo coronavírus, as previsões de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do País eram de 2,5%. Agora recaem em uma recessão técnica — que surge quando há dois trimestres seguidos de resultados negativos. Os economistas mais pessimistas aguardam uma queda de até 6%, mas a Fundação Getúlio Vargas (FGV) determina que a retração deve ficar em 4,4%.

Para o mundo, a economia pode sofrer uma redução de 0,1% a 5% em 2020. Já o PIB deve se expandir entre 2% e 2,5% em 2021. O motivo para a projeção é simples: a possibilidade da curva de recuperação íngreme por parte dos doentes.

O que todos esses dados representam para a classe média, que representa 56,3% da população? Algumas situações estão implicadas, entre elas, o aumento da inadimplência e do desemprego.

Antes do novo coronavírus surgir, já havia 61,3 milhões de brasileiros inadimplentes. O resultado é de janeiro de 2020. Como consequência, houve um crescimento de 9,9% no total de empresas com dívidas em aberto. No total, 6,2 milhões de negócios estavam com dificuldades financeiras dessa monta no início do ano.

Em relação ao desemprego, o índice fechou em 11,2% em janeiro de 2020. Isso representou 11,9 milhões de brasileiros sem trabalho.

Saúde

Ante as implicações na saúde, os problemas na economia parecem pequenos. Muitos países estão com seu sistema de saúde em colapso — entre eles, Itália, Espanha e Estados Unidos. No mundo, o total de infectados já ultrapassou 5 milhões de pessoas. O total de óbitos está próximo de 330 mil, segundo dados de 21 de maio de 2020.

Apesar disso, mais de 1,9 milhão já conseguiram se curar da doença. O Japão, por sua vez, declarou que pretende declarar estado de emergência, pois a propagação do vírus aumentou em algumas localidades, inclusive na capital, Tóquio.

No Reino Unido, o primeiro-ministro Boris Johnson — que estava internado desde o dia 5 de abril — acabou sendo encaminhado para a UTI. O motivo foi a piora do quadro de saúde, especialmente devido à falta de ar.

No Brasil, já são 18.894 mortes e mais de 290 mil casos confirmados. O maior número está em São Paulo, seguido do Rio de Janeiro. No entanto, especula-se a existência de muitas subnotificações, já que há poucos testes e muitas mortes ainda carecem de confirmação positiva para covid-19.

Modo de trabalho

Com a pandemia, as empresas precisaram se reinventar. As determinações de isolamento social fizeram muitos negócios fecharem as portas e quem precisou trabalhar de casa, teve que fazer isso.

Nesse cenário, a tecnologia oferece grande ajuda. Ferramentas de integração e comunicação garantem o alinhamento das equipes para garantir o andamento dos projetos realizados. As reuniões online se tornaram uma constante, tanto entre o time interno quanto com os clientes.

Entre os que dependem das vendas para ter dinheiro, como é o caso dos autônomos e dos Microempreendedores Individuais (MEIs), ficou a insegurança da falta de direitos relacionada à gig economy. O governo federal ofereceu um aporte de R$ 600,00 para auxiliar essas pessoas por 3 meses. Ainda assim, ficou evidente a necessidade de repensar o modelo.

Como serão os meses após o novo coronavírus? Muitas variáveis precisam ser consideradas.

Cenários do futuro pós-coronavírus

Apesar de ter impactado diferentes setores, o surgimento da covid-19 — uma doença que evolui com rapidez — trouxe, principalmente, duas questões principais:

  • ampliação das crises sociais já existentes;
  • capacidade do governo de agir de maneira proativa quando é necessário e há o desejo disso.

Tudo isso leva a novos cenários para a economia e as empresas. Nunca foi visto governos e bancos centrais se unirem em prol do auxílio à sociedade e aos pequenos negócios — pelo menos, não no patamar verificado hoje. Todos têm o objetivo de evitar a quebra geral da economia, que poderia causar efeitos ainda mais devastadores nos próximos anos.

Com bolsas em retração significativa — o índice Nikkei marcou queda de 22,2%, o Dow Jones de 24,1% e o FTSE 100 de 28,8% — entre janeiro e abril de 2020, a economia parece estar em risco. Contudo, sempre existem oportunidades.

Crescimento econômico

Aqui, a expectativa é de redução no Brasil e no mundo, como já vimos. Para entender melhor, basta pensar no isolamento social, que levou à interrupção das atividades da maior parte das empresas brasileiras.

Para ter uma ideia, existem aproximadamente 6,4 milhões de estabelecimentos de micro e pequeno porte, além de MEIs no Brasil. O número representa 99% do total de negócios no país.

Essa situação se reflete em uma economia dependente da circulação de bens, serviços, dinheiro e pessoas. Com a interrupção, ainda que parcial, das atividades, há menos oferta de produtos e serviços.

Além disso, há uma redução na demanda. O motivo é o aumento do desemprego, que deve chegar a quase 25 milhões, segundo projeções da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Ainda deve ser registrada uma perda de renda dos trabalhadores da ordem de 3 trilhões de dólares.

Inflação

Mais do que os efeitos na economia, o período depois do coronavírus deve implicar mais reduções da inflação. A taxa Selic, que já está em mínima histórica, pode terminar 2020 em 3,25%.

Isso impacta na inflação, que é mensurada pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A previsão é fechar o ano em 2,94%. Antes do novo coronavírus, a média era de 3,19%.

Vendas

As perspectivas para o varejo eram positivas, mas agora são ruins. Se o mês de janeiro de 2020 já tinha apresentado recuo de 1% em comparação com dezembro de 2019, agora as projeções são ainda piores. Para ter uma ideia, além da inadimplência em alta, as despesas das famílias aumentaram 1,8%.

Com o cenário atual, as expectativas para o período após o novo coronavírus é de dificuldade devido à perda dos empregos e à redução dos salários. Isso deve fazer o consumo se retrair. Além disso, muitas empresas precisarão reforçar seu capital de giro com contratação de linhas de crédito, que incidem juros, por menores que sejam.

Endividamento familiar

Depois de pagar tratamentos médicos e deixar de receber ou ter salários cortados devido à pandemia, muitas pessoas devem se endividar ainda mais. A inadimplência tende a crescer e virar uma bola de neve. Afinal, as empresas também passam a ter dificuldade por terem seu caixa desequilibrado.

Toda essa situação exige uma mudança de paradigma. Se antes os executivos privilegiavam o pagamento de dividendos aos investidores, o cenário após o coronavírus requer um cuidado maior com as pessoas. A ideia de que são o capital intelectual é verdadeira e precisa ser colocada em prática.

Esse é um caminho para se proteger contra crises futuras e garantir melhores resultados nos meses seguintes. Também é uma fórmula sustentável para o bom funcionamento do negócio. No entanto, ainda há mais o que fazer para deixar sua empresa pronta para enfrentar essa dificuldade.

É necessário se preparar para muitas implicações empresariais?

As dinâmicas de trabalho de todas as empresas precisam ser revistas devido ao novo coronavírus. Sua propagação ampla fez com que as companhias adotassem o home office, oferecessem compensação de banco de horas, férias antecipadas e realizassem reuniões por videoconferência.

Mais do que rever o papel do colaborador diante dos resultados de negócio, é importante ter sua empresa aberta à inovação. Repensar a necessidade de manter processos e estruturas será uma demanda significativa. Por isso, um novo modelo de gestão deverá surgir.

O lucro deixa de ser priorizado para se analisar as consequências e os impactos sociais para solucionar a crise. Aqui, algumas boas práticas surgem para o ambiente corporativo:

  • implementação do home office: foi percebida a possibilidade de trabalhar dessa forma e reduzir custos com manutenção de infraestrutura. Com isso, será necessário fazer um alinhamento máximo entre as equipes e delas com a companhia;
  • capacidade de lidar com a imprevisibilidade: é preciso saber ultrapassar os desafios e ter flexibilidade. Para isso, é melhor descentralizar a gestão, já que um modelo estabelecido na alta liderança deixa de fazer sentido em um cenário instável;
  • aumento da transparência na comunicação: é preciso repassar as informações aos colaboradores de forma clara e objetiva. Mais do que isso, eles devem perceber seu impacto direto nos resultados por meio da participação significativa nos lucros e nos resultados. Quando há reflexo na remuneração e na vida pessoal, o emprego de esforços é maior e mais bem direcionado.

Fora essas mudanças no modelo de gerenciamento, é preciso que as empresas também trabalhem melhor a gestão financeira e invistam em atividades com bom retorno sobre o investimento (ROI). No primeiro caso, fica a lição de manter um bom capital de giro, a fim de evitar empréstimos ou demissões de colaboradores em caso de imprevistos.

No segundo, um dos melhores investimentos é em marketing digital. Segundo pesquisa realizada pela Rock Content e Resultados Digitais, 95% das companhias ainda precisam melhorar suas estratégias nesse setor.

Com as medidas certas, o cenário pode ser melhorado. Ao trabalhar o marketing digital de maneira correta, fica mais fácil ultrapassar os desafios e conquistar vantagem competitiva. Essa também é uma forma de investir mais nas vendas online, que devem movimentar R$ 106 bilhões em 2020.

Por outro lado, é preciso fazer um investimento adequado para o momento. Segundo Vitor Peçanha, cofundador da Rock Content, “o que as pessoas mais estão buscando neste momento é um pouco de conforto e uma forma de diminuir as incertezas. Por isso, é a hora de pegar ainda mais leve nas estratégias”.

Como fazer isso? Algumas ações acertadas são:

  • humanizar a marca, inclusive pelo compartilhamento de desafios e dificuldades para o período;
  • ofertar conteúdo de valor, indo além das vendas;
  • investir em anúncios online, para fechar negócios com mais rapidez;
  • acompanhar as mudanças de comportamento do consumidor, já que falar tanto no assunto faz com que ele fique saturado. Ao observar a postura das pessoas diante da pandemia, ficará mais fácil descobrir o que fazer no período após o novo coronavírus.

Todas as informações mostram que existem desafios, mas também oportunidades diante do cenário atual. Ainda que os resultados econômicos sejam menores, as empresas podem passar por essa dificuldade, se os gestores agirem de maneira adequada.

É preciso saber se posicionar e adotar uma postura inovadora. Comprovar com dados e cases de sucesso a eficiência das atividades é uma forma de confirmar o que diz e contribuir com a tomada de decisão. O resultado é o alcance de melhores resultados no pós-coronavírus, algo que pode levar sua empresa para outro patamar.

Agora que essas dicas foram apresentadas, confira mais recomendações para melhorar os resultados empresariais e saiba como adaptar seu marketing de maneira ágil em meio ao coronavírus (e superar a crise).

Publicações relacionadas
Artigos

Como lutar contra a fadiga de reuniões online

Artigos

Treino em casa é saída para consumidores e empresas

ArtigosPesquisas

Pesquisa do Olist traz faz um panorama do setor de marketplaces e mostra tendências e oportunidades

Artigos

Mesmo com a pandemia, os consumidores estão confiando na sua marca?