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Internet, a quarta dimensão

Spatial Web, a internet como quarta dimensão

Não é exagero dizer que nosso olhar sobre o mundo foi radicalmente transformado com o uso que fazemos da internet.

Nós buscamos ambientes instagramáveis para nos reunir com nossos amigos, usamos aplicativos de carona para nos deslocar pelas cidades com maior facilidade, e transtornos como o FOMO (Fear of Missing Out ou “Medo de Ficar de Fora”) atingem mais de 75% dos adultos conectados, como aponta uma pesquisa da Universidade de Essex, citada pela Trip.

Mas e se essa espécie de camada que a internet lançou sobre as nossas vidas fosse real? É a possibilidade que a Spatial Web aponta em nosso horizonte.

Ainda não há um acordo sobre a definição de Spatial Web, mas, em geral, o termo é utilizado para se referir à atmosfera computacional que existe em um espaço 3D. Ela é um conjunto híbrido de realidades virtuais e reais, construído por meio de bilhões de dispositivos conectados e acessados pela interface da realidade virtual e aumentada. É como se pudéssemos navegar pela internet sem intermédios.

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Spatial Web é a nova promessa de mudança disruptiva

Reunindo Inteligência Artificial (IA), mineração de dados, aprendizado de máquina e pesquisas em linguagem natural, a Spatial Web trará mudanças disruptivas na maneira como nos relacionamos com os ambientes ao nosso redor e com as informações.

Por meio de dispositivos AR/VR e Internet das Coisas, como sensores autônomos, óculos inteligentes e computação descentralizada com blockchain, a Spatial Web se integrará ao ambiente físico e aos usuários, fornecendo mais segurança e autenticação de dados. Ela permeará conversas, estradas, salas de aula, conferências e muitos outros ambientes com interações baseada em IA e informações intuitivas. 

Pense, por exemplo, em uma loja de roupas. Nela, as tecnologias de IA usarão seu histórico de compras, bem como o inventário da loja e indicadores de humor para exibir itens renderizados digitalmente, de modo que eles se adéquem ao seu estilo e às suas medidas. E essa é apenas uma das inúmeras possibilidades para a Spatial Web. 

Hoje, as pessoas usam a computação em nuvem para ter acesso a seus dados sem precisar de dispor de um computador ou servidor, interagem com assistentes como a Siri e passam por uma série de experiências em mundos virtuais por meio de apps e tecnologias de realidade aumentada. Porém, com a Spatial Web, daremos muitos passos à frente nessas interações.

Graças à IA, todo ambiente será inteligente. Cada base de dados sobre usuários e seus ativos será tratada com mais segurança e monetizável. Entusiastas acreditam que haverá mundos virtuais complexos para que as pessoas possam apoiar economias, lançar simulações e, até mesmo, aprimorar sistemas políticos. 

Como superar a Web 2.0 e dar as boas-vindas à Spatial Web?

Precisaremos, porém, de alguns avanços nas linguagens de programação para criar esses ambientes digitalizados. Isso porque, hoje, a Web 2.0 depende de um protocolo TCP/IP para endereçar um PC e transferir pacotes de dados. A Spatial Web, contudo, será construída sobre uma linguagem de programação espacial análoga ao HTML para criar um endereço vinculável a qualquer espaço físico ou virtual. Essa programação nos permitirá um formato compatível com todos os espaços virtuais do mundo. 

Além disso, o sistema de governança da Spatial Web precisará que os usuários possam acionar tudo, como a própria sala de estar, prédios e móveis. Para isso, será necessário que criemos endereços para esses espaços e objetos, de uma forma semelhante ao que fazemos para a concessão de URLs na Web 2.0.

Após a criação desses endereços, os usuários poderão identificar e visitar locais endereçáveis, objetos físicos, partes de conteúdos digitais e até mesmo indivíduos. Isso pressupõe que tenhamos também tecnologias de mapeamento compatíveis para melhorar a precisão do registro de salas, objetos e ambientes de grande escala no espaço virtual.

Outra semelhança em relação ao que temos na Web 2.0 é que, assim que a sala virtual for preenchida com conteúdo, os desenvolvedores ficarão responsáveis por codificar quem pode vê-la e acessá-la e quem tem os pré-requisitos para alterá-la. Isso significa que precisaremos desenvolver legislações e manuais de conduta para regulamentar esse acesso.

É perceptível que ainda precisaremos de uma série de novas linguagens e técnicas de programação, tecnologias e legislações para que essa a Spatial Web funcione. Mas elas não estão tão distantes de chegar ao mercado.

Qual a relação entre Spatial Web e Realidade Aumentada?

A Realidade Aumentada (RA) é uma parte vital da equação que nos levará à Spatial Web, junto à Inteligência Artificial, à conectividade onipresente do 5G, à nanotecnologia, à computação quântica e à transumanização — o conceito pressupõe que ganhamos cada vez mais camadas de tecnologia em nosso corpo, seja por meio do implante ou por meio do uso de wearables.

Nesses ambientes repletos de camadas de informação, os algoritmos de Inteligência Artificial fornecerão experiências personalizadas de RA, traçando sobreposições virtuais, entre outras possibilidades. Contudo, para essa nova rede, a realidade aumentada vai um pouco além dos hologramas mostrados em filmes de ficção.

Ainda serão necessárias muitas tecnologias para que a Spatial Web seja possível, e isso também se refere às de realidade aumentada. As unidades de processamento gráficos (GPUs, encontrados em nossos celulares, consoles e computadores) precisarão ser acionadas em cadeias de blocos para conseguirem realizar cálculos rápidos que renderizem imagens. Felizmente, os blockchains dedicados especificamente ao processamento holográfico de realidade aumentada estão em ascensão.

Após esse processamento, câmeras e sensores agregarão dados em tempo real, integrando o físico e o virtual. Sensores de rastreamento corporal alinharão informações para fazer a autorrenderização do usuário na realidade aumentada. Para traçar os mapas espaciais 3D, os sensores de profundidade precisarão fornecer dados especiais e as câmeras precisarão capturar imagens em alta resolução para reconstrução das superfícies.

Na saúde, por exemplo, óculos de RA vão permitir que médicos tenham acesso imediato e maximizado a informações relevantes, analisadas a partir dos registros médicos do paciente e de pesquisas relacionadas ao tema. Dessa forma, eles terão condições de traçar diagnósticos mais precisos e prescrever tratamentos mais eficientes, de modo que possam adotar uma abordagem centrada nas pessoas, educando pacientes e demonstrando empatia, como aponta o artigo do Singularity Hub do MIT

Empresas que já estão atentas à Spatial Web

Apesar de ainda não termos as tecnologias necessárias para viabilizarmos a Spatial Web como a idealizamos, algumas empresas já estão atentas e se preparando para as inúmeras possibilidades. A Oracle (que gerencia bancos de dados) já criou um segmento para a nova rede, a Oracle Spatial and Graph, que conta com uma série de serviços:

  • Yellow Pages: nelas, o usuário pode encontrar negócios pelo nome ou categoria, baseado na relação que ele desenvolve com a sua localização;
  • Routing: esse serviço fornece a entrega de informação e instruções para rotas individuais ou múltiplas;
  • OpenLS: fornece a entrega de serviços baseados na localização do usuário, com base em especificações Open Location Services Initiatives (OpenLS) para geolocalização, mapeamento, roteamento e páginas amarelas;
  • Web Feature Services (WFS): permite que os usuários encontrem benefícios baseados no relacionamento que eles desenvolvem com o local ou com atributos não espaciais.

Já a Verses Labs oferece uma série de tecnologias integradas para criação de workflows dinâmicos, rastreabilidade confiável, automações inteligentes e ecossistemas colaborativos para viabilizar espaços inteligentes e domínios Spatial. Entre as soluções criadas pela empresa, estão sistemas interativos para espaços inteligentes, contratos Spatial (que definem como os objetos interagem e transitam no mundo digital) e sistemas financeiros. 

O Facebook, logicamente, não deixaria de lançar suas apostas. A empresa anunciou o Live Maps, um mapa de transmissões ao vivo que usará uma combinação das imagens capturadas por dispositivos para fazer o mapeamento espacial. O recurso será aliado aos óculos de realidade aumentada anunciados pela empresa. Especialistas, contudo, avaliam que ele só trará mudanças representativas quando existirem hardwares com capacidade suficiente para processar essas imagens. 

Estamos preparados para a Spatial Web?

Nos anos 80, a Web 1.0 permitiu que tivéssemos acesso a múltiplas informações, dispostas em páginas estáticas. As conexões se tornaram mais ágeis e, graças às novas tecnologias, bem como o enriquecimento das interações com o usuário, a Web 2.0 introduziu novas aplicações, conteúdos multimídia e redes sociais em nosso dia a dia.

Embora seja discutível que a internet tenha democratizado o acesso à informação — afinal, temos presenciado um forte debate em torno das fake news —, é um fato que ela tenha ampliado significativamente esse benefício. E agora, com a Spatial Web (que poderíamos entender como a Web 3.0), cada elemento dos ambientes será coberto por uma camada digital, de forma que as informações que hoje tratamos como virtuais ganharão uma dimensão espacial.

Além de um desenvolvimento tecnológico significativo, serão necessárias também legislações compatíveis com as necessidades dos usuários, já que há uma série de questões de privacidade envolvidas na criação de ambientes interativos e na disponibilização de tantas informações nos espaços.

O Facebook, por exemplo, tem enfrentado questionamentos pertinentes em torno da disseminação de notícias falsas em sua plataforma. O que essas informações não idôneas poderiam provocar com recursos interativos? Como afirma Gabriel René, criador da Verses, é necessário que otimizemos nossas relações com sistemas computacionais para que elas aconteçam de uma maneira natural.

Como a conectividade 5G pode ajudar a viabilizar a Spatial Web, confira nosso artigo sobre como essa tecnologia pode transformar o mercado brasileiro. Preparar-se é o primeiro passo para entregar o que seu público precisa e se destacar.

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